As regras da UE relativas ao direito à reparação reprimem o lixo eletrónico

A União Europeia (UE) deu um passo significativo no sentido de reduzir o lixo eletrónico e de capacitar os consumidores, através da adoção de novas regras de direito à reparação. Estas regras podem afetar particularmente empresas como a Apple com o seu controverso requisito de “emparelhamento de peças”, que pode não ser permitido ao abrigo dos regulamentos atualizados da UE.

A nova legislação exige que os fabricantes estendam a garantia de um produto por um ano se ele for reparado enquanto ainda estiver na garantia. Isso incentiva os consumidores a escolherem o reparo em vez da substituição. Mesmo após o término do período de garantia, as empresas são obrigadas a consertar produtos domésticos comuns, incluindo smartphones, TVs, máquinas de lavar, aspiradores de pó e muito mais.

Os reparos devem ser oferecidos a um preço “razoável”, evitando que as empresas desencorajem intencionalmente os reparos devido aos custos elevados. Os fabricantes são obrigados a fornecer peças sobressalentes e ferramentas para reparos e não podem bloquear os reparos usando técnicas de hardware ou software. As novas regras também permitem a utilização de peças impressas em 3D ou de segunda mão provenientes de oficinas de reparação, e os fabricantes não podem recusar a reparação de um produto apenas por razões económicas ou porque este foi previamente reparado por outra pessoa.

Essas novas regras podem impactar particularmente empresas como a Apple com seu controverso requisito de “emparelhamento de peças”. A prática da Apple de impedir a substituição de determinados componentes do dispositivo por terceiros pode não ser permitida pelas novas regras da UE.

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No entanto, as novas regras abrangem apenas produtos de consumo, excluindo produtos adquiridos por empresas ou bens industriais. Formulações vagas como “preço razoável” deixam margem para interpretação, e as empresas podem recusar-se a cumpri-las citando “fatores legítimos e objetivos”.

Os EUA também estão a progredir na legislação sobre o direito à reparação, com cada estado a trabalhar na legislação. A lei da Califórnia, que entrará em vigor em julho, exigirá que os fabricantes disponibilizem materiais de reparo para todos os eletrônicos e eletrodomésticos que custam US$ 50 ou mais.

A adoção destas novas regras de direito à reparação pela União Europeia é um passo significativo para a redução do lixo eletrónico e para a capacitação dos consumidores. Ao tornar as reparações mais acessíveis e económicas, estas regras não só beneficiam os consumidores, mas também contribuem para a sustentabilidade ambiental. Tal como a UE dá o exemplo, outras regiões, incluindo os EUA, também estão a avançar no sentido da implementação de regulamentos semelhantes.

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