Acordo de mecanismo de busca de US$ 18 a 20 bilhões entre Google e Apple sob escrutínio antitruste

Enquanto o Google enfrenta um processo antitruste do Departamento de Justiça dos EUA, surgiram detalhes sobre seus acordos de mecanismo de busca com a Apple.

O destaque recai sobre a receita substancial que o Google paga à Apple para manter sua posição como mecanismo de busca padrão nos navegadores Safari em iPhones, iPads e Macs. Estas informações confidenciais, divulgadas durante a defesa da Google no julgamento antitruste em curso, oferecem um raro vislumbre do intrincado funcionamento dos acordos comerciais destes gigantes da tecnologia.

A dependência da Apple na publicidade de busca do Google revelada em julgamento antitruste

De acordo com o depoimento de Kevin Murphy, especialista em economia que testemunha em nome da Apple, o Google paga à Apple impressionantes 36% da receita total gerada pela publicidade em buscas por meio do navegador Safari. Esta percentagem substancial, inicialmente destinada a permanecer confidencial, perturbou visivelmente o principal advogado do Google, destacando a sensibilidade da divulgação.

Este acordo financeiro faz parte de um acordo de longa data entre o Google e a Apple que remonta a 2002. Apesar das revisões ao longo dos anos, consolidou a posição do Google como o mecanismo de pesquisa padrão em dispositivos Apple, incluindo iPhones, iPads, MacBooks e sistemas Mac mais antigos.

A participação na receita, estimada entre US$ 18 bilhões e US$ 20 bilhões anualmente, representa uma parcela significativa do lucro operacional anual total da Apple, de acordo com a empresa de gestão de patrimônio Bernstein. Este acordo mutuamente benéfico determina o mecanismo de busca padrão para o amplamente utilizado iPhone, desempenhando um papel fundamental no domínio do mecanismo de busca do Google.

Leia também:O Google pagou à Apple US$ 20 bilhões em 2022 para proteger o mecanismo de busca padrão Safari

O processo antitruste do Departamento de Justiça dos EUA tem como alvo o acordo do Google com a Apple, alegando que mantém um monopólio ilegal de mecanismo de busca. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, apoia esta afirmação, afirmando que o acordo torna quase impossível para outros motores de busca, como o Bing, competir de forma eficaz.

Se o Google perder o processo antitruste, o acordo com a Apple poderá ser rescindido. Portanto, a gigante da tecnologia de Cupertino pode ser obrigada a fornecer aos usuários a opção de escolher seu mecanismo de busca preferido ao configurar um dispositivo, potencialmente encerrando o status padrão do Google.

Possibilidades futuras

As revelações levantam questões sobre as ações futuras da Apple. Perder bilhões do Google poderia incentivar a Apple a desenvolver seu próprio mecanismo de busca. O chefe de IA da Apple, John Giannandrea, lidera uma equipe de busca dentro da empresa que já desenvolveu um mecanismo de busca de próxima geração para aplicativos da Apple, estabelecendo as bases para uma potencial alternativa à Pesquisa Google.

Este julgamento antitruste em andamento e os detalhes emergentes dos acordos de busca do Google com a Apple destacam a dinâmica complexa e as implicações financeiras na indústria de tecnologia. À medida que o cenário evolui, resta saber se estas revelações levarão a mudanças significativas no mercado de motores de busca e ao domínio do Google.

(atravésBloomberg)