Por que a Apple parece não conseguir acertar seu quarto iPhone

Há algo quase mítico na “quarta maldição do iPhone”. A cada poucos anos, a Apple tenta preencher essa lacuna misteriosa entre o modelo básico e o Pro. E todas as vezes a história termina da mesma maneira. O iPhone mini veio e foi. O Plus tentou e falhou. Agora o iPhone Air segue o mesmo padrão. Três gerações de tentativa e erro, e a Apple ainda não descobriu o que as pessoas realmente querem desse quarto espaço.

No papel, a ideia faz todo o sentido. Os iPhones de primeira linha da Apple, o Pro e o Pro Max, satisfazem os usuários que desejam desempenho e prestígio. O modelo básico abrange todos que desejam apenas um iPhone confiável a um preço mais baixo. O “quarto iPhone” pretende preencher essa lacuna – oferecer algo mais leve, diferente ou mais acessível e ao mesmo tempo parecer especial. No entanto, todas as versões têm lutado para justificar a sua existência.

O iPhone mini foi a primeira vítima. Chegou como um aceno nostálgico aos telefones menores, prometendo potência em uma estrutura compacta. Mas o mundo seguiu em frente. Telas grandes se tornaram a norma e a duração da bateria era fundamental. O charme do mini não compensava suas limitações. As vendas diminuíram e a Apple retirou-o discretamente. Depois veio o iPhone Plus, que era essencialmente uma versão maior do iPhone básico, sem as vantagens do Pro. Oferecia tamanho sem substância, e os usuários notaram. O Plus não vendeu mal, mas também nunca se destacou. Estava simplesmente... ali.

O iPhone Air deveria ser a solução. Um iPhone ultrafino premium projetado para parecer futurista e ao mesmo tempo mais leve do que nunca. É o iPhone mais bonito da Apple até agora, mas também um dos mais confusos. Custando US$ 999, custa quase o mesmo que o iPhone 17 Pro, mas não possui os recursos que fazem um Pro valer seu preço. O Air tem apenas uma câmera traseira, alto-falantes mais fracos e bateria com menor duração. Parece impressionante por fora, mas parece incompleto depois de usado.

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Agora, o iPhone Air 2 foi adiado até 2027, enquanto a Apple se esforça para redesenhá-lo com uma segunda câmera e uma bateria maior. A produção do Air de primeira geração já desacelerou, com a Foxconn e a Luxshare supostamente encerrando a montagem no início deste outono. Este redesenho é uma tentativa da Apple de dar ao Air uma razão real de existir – mas também destaca o quão incerta a empresa ainda está sobre o que este modelo deve representar.

O padrão é claro. Cada vez que a Apple experimenta um quarto iPhone, ela acaba presa entre dois extremos: muito comprometido para atrair compradores Pro e muito caro para o público do modelo básico. O meio-termo que ele busca não parece existir no mundo real. Os consumidores querem o melhor iPhone que a Apple fabrica ou aquele que parece um negócio inteligente. Tudo o que está no meio se perde.

Não ajuda o fato de a linha do iPhone estar agora mais estratificada do que nunca. Com os modelos Pro oferecendo chips de última geração, novos sensores e designs de titânio, sobra pouco espaço para um telefone “quase premium”. O Air não é um aparelho ruim de forma alguma, mas é difícil de justificar ao lado dos modelos Pro que custam apenas um pouco mais, mas agregam muito mais valor.

O desafio da Apple com este quarto modelo não envolve apenas especificações ou preços. É uma questão de identidade. Cada tentativa careceu de uma razão clara para existir além de preencher uma vaga no gráfico. O mini tentou vender nostalgia, o Plus tentou vender tamanho e o Air tentou vender magreza. Nenhum conseguiu vender significado.

Para fazer o quarto iPhone funcionar, a Apple precisa parar de pensar em termos de segmentação e começar a pensar em termos de propósito. O que o Air representa que nenhum outro iPhone consegue? Que problema isso resolve que os modelos Pro e básicos não conseguem? Até que a Apple possa responder a isso, o quarto iPhone continuará sendo um experimento – um espaço reservado que nunca encontra seu público.

Ainda assim, há algo inegavelmente Apple na persistência. A empresa raramente desiste de uma ideia em que acredita. O redesenho do iPhone Air 2 mostra que a Apple ainda está tentando fazer o conceito funcionar. Um iPhone mais fino e leve, com câmeras duplas e resfriamento aprimorado, poderia finalmente atingir o equilíbrio que os modelos anteriores perderam. Ou poderia se tornar mais um capítulo na longa luta da Apple para tornar seu quarto iPhone importante.